quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Saudades

Pouquíssimos de nós não teria uma história para contar sobre o Valdemar ou uma palavra positiva para dizer a seu respeito.

Ele esteve no Grupo de Canto São Judas desde o seu começo. Conosco conviveu por 21 anos e soube como ninguém ir superando as dificuldades de um tempo tão longo de convívio... Digo como ninguém, porque sei de perto do seu temperamento, das dificuldades divididas. Sei bem o quanto se superou para que, no final, o que sempre vencesse fosse o seu amor por nós, o convívio amoroso e a sua permanência no grupo.

No grupo, fazia parte dos tenores e de uma “casta” criada por ele e por outro Valdemar, chamada “reba”. Brincava muito com o termo, que servia para denominar – no seu dizer – os que não têm voz para cantar e participam do grupo.

Nós somos a reba, querido amigo! Todos nós! E você vai fazer falta...

Não poucas vezes o ouvi dizer “olha, você fique certa de que posso deixar qualquer atividade, mas do coral eu não saio... você vai ter que me aguentar...”.

Assim fosse com todos, querido, esse “aguentar”...

Na paróquia, lembro-me dele muito antes do começo do coral... Lá pelos tempos do padre Zezinho, quando a São Cristóvão ainda era capela de nossa Paróquia. Quanta carreata ajudou a organizar com o Antonio!! E quanta história divertida para contar delas...

De uma simplicidade extrema, ele foi um cavalheiro, talhado pela sua vida árdua de trabalho. Poucas pessoas têm a graça de ter a sua elegância nata e a sua educação, coisas que não foram lapidadas pela universidade nem pela etiqueta social. Foram lapidadas pelo seu viver, pelo seu querer, pelo seu “se fazer”... Para os mais desavisados, poderia parecer que sua maior característica era a teimosia de “espanhol”, como gostava de brincar... Mas eu bem sei que sua maior característica era a doçura de alma, a amizade pura e desinteressada, a fidelidade extrema aos amigos, o respeito aos clientes-amigos que soube conquistar, a gratidão imensa e sincera até por uma palavrinha dada.

Sei que viveu, nas últimas semanas, um pouquinho do que Jesus vivenciou no Horto, antes da crucificação. Sei também que, como Cristo, enfrentou com coragem tudo o que não queria. E tenho a certeza de que, com Jesus, está ressuscitado, na glória do Pai.

Quando se está diante da morte, do inexplicável e imutável, só podemos encontrar luz para esse mistério na morte e ressurreição de Jesus e no imenso amor de Deus para conosco, que se manifesta por meio do outro, por intermédio daqueles que nos cercam.

Ainda estamos consternados e surpresos pela rapidez com que tudo aconteceu... você se foi, levando um pedacinho de nós e deixou uma marca indelével em nossos corações, para sempre.

Sempre nos lembraremos das suas histórias divertidas, da sua preocupação eterna com sua Maria Alice, seu amor e dedicação aos filhos e netos, sua doçura e ternura imensas com a princesinha Marina.

Sempre me lembrarei da sua perseverança em estar entre nós, apesar de...

Felizes somos todos que, deixando de lado os desencontros, às vezes os desamores, sabemos nos unir para continuar partilhando a vida no que ela tem de mais belo e mais lindo: o encontro de almas, a vida dividida nas alegrias e nas tristezas, o carinho do apoio e a gratidão eterna por tudo quanto vivido junto.

 É a lição que você me ensinou, é o pedacinho seu que fica em mim...

Que o Senhor nos ajude a superar sua perda com renovada esperança na vida eterna e que seu exemplo de vida seja por nós honrado e jamais esquecido.

Aquele feixe de luz que liga céu e Terra durante os louvores a Deus, durante as missas, seja o fio que nos une desde sempre e para sempre.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Até sempre, amado amigo!

Anteontem era dia de comemorar 21 anos de existência do grupo e a vida nos convocou para uma despedida de um dos nossos membros - Valdemar querido!...
 
E nas grandes horas da vida as palavras ficam tão pequeninas, só o coração fala e ele não precisa recursos... sente, sente de novo, suas emoções chegam à memória que reacende tantas lembranças.

Eu tenho um tempo curtíssimo entre todos vocês, mas foi o suficiente para conhecer em minha alma as delicadezas e alegrias do amigo querido.
Educadíssimo, generoso, respeitoso, preocupado e amoroso. Sempre cumprimentou de pertinho, aperto de mão e beijo. Quando percebia qualquer diferença no semblante da gente, chegava e perguntava ou dizia algo para se aproximar. Mantinha sempre uma postura altiva e cheia de gestos elegantes desde o ato de dar as mãos até o modo de posicionar o corpo digno em seu lugar, de onde a maior aproximação era dos olhos e do coração...

Desde o dia em que minha mãe passou pela mesma cirurgia que ele fez - ela em janeiro desse ano - não houve uma só vez em que ele não perguntasse sobre ela. Quando eu não tinha sequer energia para pensar em outras coisas, seu carinho foi sempre presente e amoroso, e tão bom sentir assim quando estamos cansados... ele havia nutrido um laço com ela por causa da carona oferecida por uma amiga através dos serviços de taxista por ele prestados. E assim era e agia com seus tantos clientes-amigos.

Minha vontade anteontem era de colocar todo mundo no meu colo. Sua família, seus amigos da vida, os nossos do coral, os companheiros da igreja, os seus clientes, todos sem distinção.
Testemunhar o sofrimento das pessoas não é qualquer coisa. Mas é preciso dizer que se perdemos uma festa aqui, certo que vivemos uma celebração muito maior ao longo da vida! Uma só noite não dançamos, comemos e bebemos juntos, mas temos a honra de poder celebrar os anos de convívio com um ser humano de muito valor e isso é festa do céu. Festa que não termina jamais!

Na dor, hora tão dura, colocamos nosso agradecimento a Deus por tudo que tivemos em vida com ele e por causa dele, e o desejo de termos sabedoria para eternizá-las, para continuarmos cantando as graças que recebemos e essa coragem tão linda, vista a partir do Amor, de cantarmos até o fim, quando não há forças humanas e só Deus nos sustenta...

Que tenhamos a confiança extrema, Senhor, que dessa convivência finita, caminhamos para a Sua Eterna Presença, para seu Amor Infinito onde somos e seremos os mais ternos Amigos, na graça da partilha que o Senhor nos deu! Que tenhamos presentes seus gestos e sua ternura de esposo, pai, avô e amigo... admirável comprometimento, admirável amor!
 
Até sempre, amado amigo! Cante conosco as bênçãos que Ele nos deu e ajude-nos a olharmos mais longe... amando-nos sempre desde aqui!
 
Cláudia

domingo, 25 de agosto de 2013

Valdemar

Tem momentos na vida que nenhuma palavra é capaz de expressar o que vai na alma...
Vivenciamos nova perda, nova dor...
O Valdemar, nosso querido amigo-irmão, canta agora no coral do céu.
Não mais o ouvirei pedir novamente o Aleluia, música que adorava cantar e que talvez tão bem reflita a sua essência e existência.

O Aleleuia de Handel foi uma aventura divertida e empenhadíssima que fizemos...
Na nossa rudeza e falta de conhecimentos musicais, na simplicidade, entusiasmo e empenho, nos atrevemos a louvar a Deus certamente do jeito mais difícil, musicalmente falando, disponibilizando tudo o que éramos capazes de fazer...

Assim foi nosso querido em vida também...
Alma simples, jeito lapidado pela vida e pelo árduo labor, um cavalheiro à moda antiga...
Apaixonado pela música, mesmo com as limitações de todos nós amadores, estava sempre em busca de aprender mais... Então procurou em outros grupos musicais, o que nos faltava aqui... E assim dividiu com outros mais a sua gentileza, a sua simplicidade, o seu bem-querer às coisas de Deus, sua disponibilidade e prontidão para o que quer que fosse chamado...

Sentirei demais sua falta, querido!
Nunca mais o "coral da tosse", como você se divertia em dizer, será o mesmo...
Celebraremos hoje os nossos 21 anos de existência em uma missa de ação de graças, em profunda tristeza pela sua ausência, mas na mais renovada esperança de que você está em plena felicidade e, conosco, celebra em Deus nossa existência de grupo.
Chame a turma que já está aí, se é que não estão todos juntos ainda... Junta a "reba"...
Dá pra gente um pouquinho da alegria que vocês têm aí, porque aqui, hoje, está difícil ...

Saudade imensa, querido!

Você sempre esteve certo de que o nosso Aleluia era lindo! É verdade, era e sempre será.
Ele foi feito de  desencontros, desafinos, descoordenações, mas, acima de qualquer coisa, de doação, partilha, alegria, amor e, claro, ... tosse!
Isso nunca nos será tirado e sempre será parte de nós.
Felizes somos todos que, deixando de lado os desencontros, às vezes os desamores, sabemos nos unir para continuar partilhando a vida no que ela tem de mais belo e mais lindo: o encontro de almas, a vida dividida nas alegrias e nas tristezas, o carinho do apoio e a gratidão eterna por tudo quanto vivido junto.
É a lição que você me ensinou e o pedacinho seu que fica em mim...

Por achar que nunca foi bonito o que conseguimos realizar ao cantar o Aleluia, esse vídeo ficou guardado com o Edwin... Trata-se de um ensaio em 13/9/2005.
Assistindo-o, penso que Handel deve ter ficado orgulhoso de nós, de verdade...
Tão orgulhoso quanto eu fico, quando vejo meu netinho já começar a falar "angu"... Ele ainda não está falando nada, mas me alegra em profundidade o coração...
Tudo tem seu lugar...

O essencial é mesmo invisível aos olhos... só o coração pode ver.

Prá você, onde estiver!
Nós o amamos muito e isso é para sempre!

(Se você quiser ouvir a música com mais ambiência, coloque um fone de ouvido na saída da caixa de som, vale a pena)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Dia comprido...

Ontem vivemos um dia muito intenso e de vivências contrastantes...
Mal o dia começou e vem o telefonema com a notícia do falecimento do Teté, filho do Sr. Acir... Difícil assistir a notícia ser dada a ele... Imensamente triste, especialmente porque um acontecimento totalmente inesperado... Teté não estava doente, ninguém sequer sabia que tinha ido sozinho para o hospital...
Como confortar um pai que perde o seu terceiro filho?
Primeiro Zizi, há pouco Verinha e agora Teté... Sem poder contar com a doce Jaci...
Nada há a fazer, nada há a dizer, só estar...
E apesar de tanta dor, vi imensa fé... Lição para a vida toda...

De tarde, avó em ação... Plenitude de ternura e amor...

Mais à noite, nossa apresentação na Igreja Santa Rita.
Momentos suaves e sublimes...
O que dizer do Coral Unimed, sob a batuta da Regina Damiatti? Incrivelmente lindo, não somente pelas músicas apresentadas, harmonia, arranjos e apresentação impecáveis, mas por tudo quanto carrega consigo: cidadania, pura transfiguração. Indescritível!
E a cada apresentação, a certeza de que a música é um poderosíssimo instrumento para construir laços, formar família...
Para nós, uma das melhores apresentações que já pudemos fazer. Emocionante ver as pessoas em pé, aplaudindo... Emocionante a expressão de cada um de vocês, dando o melhor de si e completamente empenhados em cantar sem errar, por estarem sem folheto... Juro que essa "ginástica para os neurônios" que vocês fizeram produz milagres, não só para a memória... podia mesmo sentir os "fiozinhos" da alma de cada um ligadinhos à minha... Tão queridos!

O dia terminou com uma prolongada conversa com o Sr. Acir, no velório...
Inúmeras histórias - dos filhos, da família - árvores genealógicas imensas descritas, com intermináveis nomes e ligações familiares... Grande memória! Imensa ternura... Quanta fortaleza! Doce avozinho...

Vim pra casa refletindo sobre os acontecimentos, pensando na fragilidade da vida, em quanto tempo perdemos, às vezes, atrás do vento, daquilo que passa... Pensando também sobre a imensidão da dor diante de uma perda... E sobretudo, como é importante a presença de amigos-irmãos na vida, para que ela não perca o sentido, para que ela se salve...

Dia comprido, pleno de encontro, de amorosidade - na dor e na alegria...
Deus só!





terça-feira, 6 de agosto de 2013

O que te faz bonito...

Fico sempre apaixonada quando vejo o que é possível fazer com um único instrumento!
O vídeo que se segue deixa lições e lições de como, rompendo com as amarras do que está posto como única forma de produzir algo (no caso um som), é possível estar em unidade, usar a criatividade e gerar imensa satisfação.
Simplesmente apaixonante e vibrante!
Isso sem contar que fiquei bem pensando que, como uma música pulsante, a vida bem vivida e partilhada se resume sempre em saber somar para realizar, saber perder para congregar e se entregar incondicionalmente para gerar alegrias e afetos.

Vejam por vocês mesmos.



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