segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Marly, você põe no blog?

Olá, pessoal. 
Depois de três dias de merecida e linda comemoração, resolvi escrever para explicar a vocês a razão de me sentir contrariada a cada execução do Aleluia. Sei que não são todos, mas uma boa parte percebe que não curto tocar essa música. Tenho o grave defeito de mostrar no olhar o que estou sentindo. Não sei disfarçar.

O Aleluia de Haendel é uma música belíssima, de louvor a Deus, é vibrante, platéias inteiras ficam literalmente impactadas ao ouví-la. O único probleminha é que o tal do Haendel estava inspiradíssimo quando a compôs e deve ter pensado assim: "vou complicar bastante, essa não vai ser prá qualquer um encarar". E conseguiu de verdade seu objetivo. Nos trechos iniciais e finais nosso coral dá verdadeiro show. Todos empenhados, vocês cantam de forma emocionante. É demais da conta! Agora, lá pelo meio (nos inúmeros "Aleluias" e nos incontáveis "E reinarás") o bicho pega. Basta entender só um pouquinho de música para olhar a partitura e constatar a verdadeira "costura" feita pelo compositor. As vozes vão se alternando, às vezes se sobrepõem, se entrelaçam, é uma obra magnífica. Só que o problema está aí. É dificílima de ser ensinada, ensaiada, cantada. Não sei como se preparam alguns grupos que já pude ouvir cantando esta música. Sei de um grupo de Bauru que levou seis meses de ensaios com os naipes separados. Depois de seis meses, aos poucos, as vozes foram sendo agrupadas. Acontece que a melodia e andamento de cada naipe, a esta altura, estavam tão cristalizados que juntá-los não apresentou muito problema.

Nosso grupo é maravilhoso, empenhado, admirável. Amo participar e confesso que em momento angustiante da minha vida foi no grupo que encontrei amizade, apoio e a alegria que não conseguia mais sentir. Ao longo do tempo, várias foram as lições que aprendi com vocês e com a Marly, a mais importante delas é que "só erra quem faz". No início, era perfeccionista: quando errava alguma nota meu desejo era sumir da igreja e não voltar nunca mais, tamanha era a vergonha. Hoje, dou meu melhor, me esmero prá que tudo corra bem, mas, se erro, ergo a cabeça e dou a volta por cima. O erro já aconteceu, não é mesmo ? A solução é seguir em frente. Aprendi também o quanto é importante acolher quem chega, aprendi a me perdoar por erros cometidos no passado.

Então, voltando ao Aleluia, vou passar prá vocês minha opinião e sei, por antecipação, que nem todos concordarão. Mas, o importante é que entendam minha forma de pensar.

É minha firme opinião que não temos, pelo menos no momento, condições de cantar o Aleluia. A música é dificílima para quem canta e para quem rege. E, no teclado, faço o que posso, mas digo prá vocês que o acompanhamento é muito, mas muito mais do que faço. Não toco o que deveria tocar porque de verdade não sei, porque precisaria estudar muito e porque lá se foram, há muitos e muitos anos, meus tempos de pianista clássica. Hoje sou uma vovó com os dedos já meio durinhos. kkkk Somos um grupo que se reúne para cantar prá Deus, com o maior amor do mundo, e sob a batuta da carismática e esfuziante Marly. Sem ela, o coral não existiria. Não ter condições de cantar uma música não é nenhum demérito, ao contrário. Assumir as próprias limitações é atitude de humildade e sabedoria. Tantas outras canções, que entoamos lindamente, nos elevam a Deus, passam belas mensagens e agradam aos ouvintes, sem qualquer stress. Cantar o Aleluia traz nervosismo e insegurança e isso afirmo sem medo de errar. Perdi a conta de quantos de vocês já se chegaram a mim prá dizer que estão preocupados, não entendem o que precisam fazer, quando entrar, quando parar. Penso com meus botões: por que tudo isso ? O que ouço é que somos um grupo diferente. Isso somos mesmo: nenhum outro se apresenta com a mesma alegria e entusiasmo. Nenhum outro tem a dedicação de 20 anos da nossa maestra Marly. Mas não precisamos ser "tão" diferentes a ponto de nos apresentarmos cometendo erros e de forma nitidamente tensa, nervosa e insegura, tendo que contar sempre com a ajuda do Espírito Santo para que filtre apenas o que for bom para os ouvidos das pessoas.

É isso, gente. Sei que reclamo quando me pedem o Aleluia. Mas agora espero que entendam que não é reclamação pura e simples. Desejo o melhor para nós todos, que continuemos nos apresentando como sempre: com alma, com amor, com alegria, sem perfeccionismo, mas também sem desgastes desnecessários.

Beijos a todos,

Luci

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