quinta-feira, 12 de julho de 2012

Os beijos de que precisamos...

Quando não há mais nada a fazer...
Acostumados a vida todinha a valorizar o que podemos ver, fica tão difícil lidar com a partida, com a falta do sentido da visão física...
Ontem eu trabalhei pela manhã e passei o restante do dia acompanhando minha mãe em um exame de cateterismo. Impossível não estar em contato com a Vida e com tudo que ela significa quando paramos um pouquinho pra pensar nos seus limites.
O corpo tem seus pedidos, suas exigências. Graças a Deus e aos profissionais que estavam ali, da recepção aos médicos, ao tratamento que gera saúde e bem estar (coisa rara encontrar hoje em dia) tudo foi feito com carinho e conhecimento. Graças à companhia da minha prima queridíssima e dos meus amigos tão lindos, senti o coração confortado e quentinho... quanto poder tem uma simples palavrinha, um simples, porém sincero ‘te amo’, ‘te quero bem’, ‘estou ao seu lado’... delícia de amor presente e sensível, embora não visível! A vida continua seus caminhos... as novas exigências que teremos hão de caber em um coração que teve suporte ali atrás... Deus é incrível.
Mas, no fim do dia, na saudade do coral lindo, conversando com a Marly, que sentimento enorme ao saber o que viveram junto à nossa amada Verinha... Senti uma tristeza imensa, junto a uma certeza do mesmo tamanho, que ter perdido a força emocional e física entre vocês ali, para ela, deve ter sido experiência de manjedoura, de lugar quentinho... Não estou falando do que podemos ver... mas do que sentimos por ela e que ela tanto merece receber.
Para vencer os medos do fim, só mesmo o amor permeando os meios de todos os nossos caminhos.
Eu soube que a palavra que a declinou foi a expressão ‘não há mais o que fazer’... Outra vez, pensei no poder que as palavras têm sobre nossas vidas...
Entendo perfeitamente que, fisicamente, não há mais nada a fazer, no sentido de recuperar sua saúde corporal. Mas nossa saúde e nossa plenitude não se reduzem a isso.
Carinho e cuidado ainda valem muito, se não tudo. Porque não somos apenas corpos e algo mais (nesse caso somente esse algo mais ainda tem valor). Estamos cuidando do espírito que não vemos, mas conhecemos!
Que pena que nosso preparo para lidar com a nossa despedida seja tão pequeno e que essas respostas possam muito mais nos angustiar que confortar... tanto que mal conseguimos nos imaginar em igual condição. Eu não consigo. Mas não posso deixar de pensar no valor das outras coisas.
A Marly disse que ela foi levada para casa e que todos se afligiram e sofreram com ela. Que as meninas (amorosíssimas) a apoiaram e deram a ela todo carinho que ela precisou... Eis o lugar santo dos que se amam. Fazer algo tão desvalorizado socialmente depois do ‘não há mais nada a fazer’... esse algo que aconchega, conforta, equilibra as emoções, acalenta o espírito... leva a Deus.
Sim, se somos cristãos, o ‘não há mais nada a fazer’ encurta a realidade, limita a eternidade.
Um amigo meu, medico por profissão, acompanhava uma amiga muito querida em sua fase terminal. Quando os familiares perguntaram a ele o que mais poderiam fazer, ele respondeu: “- ela já subiu o calvário... esperemos agora a ressurreição... vou deixá-la no quarto pra que vocês possam participar desse momento com ela...”
Foi a morte mais sentida, vivenciada e amada que já vi. Não sem as feiuras (para os meus olhos desacostumados do que não se pode ver), mas cheia daquele entorno de amor que só pode ser prenuncio do amor de Deus...
Depende muito, depende absolutamente do como vemos e nos colocamos na situação, para que dela não ouçamos apenas o eco de um vazio... porque não é possível uma vida inteirinha terminar nesse sentimento... vazio.
Quem nunca sentiu a força de um carinho? Quem desconhece a força de um sorriso quando estamos perdidos? Quem já experimentou a delícia de um colo, de um aconchego e todo poder que ele tem de simplificar e amenizar a dor do corpo e da alma? Me diz se isso pode ser visto com os olhos?
imagem do face - recadinhos pra você
Penso na riqueza do que mora depois do nada... quem somos nós pra definirmos assim? Não quero parar nesse limite!
Se cremos, a vida continua! De um jeito que não sabemos, mas ao qual, sem saída pra fugir, precisamos aprender e entregar sem desespero, sem pavor... Vocês sofreram juntos, sinto por não ter estado ali com vocês fisicamente, mas meu coração fica consolado e agradecido que ela tenha sido tão amada, tão querida por vocês no momento preciso.
Vamos juntos, amando, sorrindo, chorando, cantando e aprendendo a confiar nessa entrega de cada dia, até um dia final.
Porque cremos que ali, onde não vemos, é paraíso... que daqui devemos partir com profundo amor, até o Amor! Continuemos pertinho do coração da Verinha. Tudo há de passar pelo Amor!
Meu carinho quentinho pra cada um. (Marly, querida... não resisti e escrevi sem comunicar você... estou aqui, viu!). Vocês são uns lindos!
Claudia

Um comentário:

  1. Claudinha linda, sensível, emociona a gente e tem um modo lindo de escrever. Consegue deixar com palavras doces o que seu coração levíssimo está sentindo. NO momento... esperemos a ressurreição!
    O meu beijo está sempre preparado pra vc. Muita paz para todos nós e sabedoria para entendermos o que está sendo ensinado a cada momento.

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