quarta-feira, 30 de maio de 2012

Missa da Solenidade da Santíssima Trindade


Entrada
Glória à Trindade (Sabedoria infinita)

Sopranos


Contraltos


Tenores


Baixos


490 – Glória à Trindade de Amor

1.Sabedoria infinita, rege e sustenta o Universo.
Sei que esta flor tão bonita e o mais distante e diverso
não foram feitos do nada: tudo nasceu desse Amor,
que se faz fonte e morada. Glória ao bom Deus, Criador! 

Glória! Glória à Trindade de Amor! Glória!
Glória à Partilha total! Glória!
Dá-nos tua luz, teu calor, faze de nós teu sinal!
Glória! Glória! 

2. Misericórdia infinita mora no seio desta vida.
Dentro da gente palpita uma vontade incontida de paraíso na Terra.
Mas nossos passos e mãos servem à paz ou à guerra...
Deus é o Irmão entre os irmãos! 

3. Uma Aliança infinita faz do pequeno o mais nobre.
Quem na esperança acredita, tome sua cruz, se desdobre,
plante sem medo o futuro. Deus quer a paz, quer o bem
e tem o rumo seguro. Ó, Santo Espírito, vem!

Aclamação
Aleluia! Tua Palavra é fecunda, Senhor

Sopranos


Contraltos


Tenores


Baixos



491 – Aleluia!  
Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia!
Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia!  

1. Tua Palavra é fecunda, Senhor.
O Universo, os viventes, teu povo,
nela encontram razão e vigor!
Aleluia! Aleluia, Aleluia!.... Aleluia!  

2. Tua Palavra nos cria e conduz;
se caímos, nos chama de novo.
Tu és Pai, nosso Irmão, nossa Luz!
Aleluia! Aleluia, Aleluia!.... Aleluia!


Oferendas
Glória ao Pai que nos prepara o Pão

Sopranos


Contraltos


Tenores


Baixos



492 – Glória a Deus que nos prepara o pão (Oferendas)  

1.No cuidado da semente, terra boa, fruto nobre.
Teu amor é que se faz presente!
Nosso empenho cresça e se desdobre, se desdobre!  

Glória ao Pai em vida e canto!
Glória ao Filho, nosso Irmão!
Glória ao Espírito que é Santo!
Glória a Deus que aqui nos prepara o pão!  

2. Do cuidado com a vida, o perdão prepara a mesa.
Teu amor sustenta nossa lida!
Nosso empenho cresça em tal firmeza, tal firmeza!  

3. Ao cuidado com a história, Paraíso é que nos chama.
Teu amor é luz, fiel memória!
Nosso empenho cresça nessa chama, nessa chama!



Comunhão
Total comunhão
Sopranos


Contraltos


Tenores


Baixos



493- Total Comunhão (Com.)  
1. Teu amor vai além da medida,
se a medida é o meu próprio pensar.
O teu sonho é partilha e convida
todo ser a saber partilhar.  

Teu amor é de Pai e de filho,
sem limite, é de eterno vigor,
é de Espírito Santo teu brilho,
é total Comunhão teu Amor!  

2. Teu Amor vai além da medida,
se a medida é o que posso fazer.
O universo confirma que a vida
é o sublime destino do ser.  

3. Teu amor é de Pai e de filho,
sem limite, é de eterno vigor,
é de Espírito Santo teu brilho,
é total Comunhão teu Amor!  

4. Teu Amor vai além da medida,
se a medida é o que posso dizer.
Minha voz é tão frágil, partida,
só tua voz é que ensina a viver.  

5. Teu Amor vai além da medida,
se a medida é o que sei merecer.
Meu sustento, razão, minha lida
só tuas mãos é que podem manter.  

6. Teu Amor vai além da medida,
se a medida é meu próprio querer.
Quero a paz nesta terra sofrida
e tu queres o céu estender.

domingo, 27 de maio de 2012

Um Encontro Ecumênico

Participamos de várias atividades esses dias. E, na segunda-feira, dia 21 passado, estivemos no Teatro Municipal, onde encontramos pessoas de outras denominações cristãs (Metodista, Presbiteriana, Batista, Católica, Manancial de Sião), enfim... irmãos em Cristo.

O propósito era que cada grupo cantasse três músicas de louvor e assim o fizemos. Preparamos o Creio em Ti, que deu um trabalhão e sai lindo agora; o Glória que chamamos carinhosamente de “glorião”, porque ele é extremamente exigente e liiindo e Pompa e Circunstância, conhecida e sempre doce canção...

Como disse a Marly, ao cumprimentar a plateia, cantamos como leigos, porque não temos formação musical ou profissional para isso, mas o fazemos com amor.

Naquela noite, na verdade desde os ensaios, pude admirar o surgimento de uma alegria quando conseguimos cantar o Creio em Ti, que era novo em nosso repertório. E a energia pra estar nos lugares que tínhamos que estar... ensaio um dia, mais outro dia, apresentação, missa... Bonito, muito bonito... o carinho de sempre nos reencontros, a falta que sentimos quando alguém não pode comparecer...  e assim, o que não temos de formação técnica, temos de bênçãos de amor.

Foi muito rico ouvir os outros grupos entoando canções que não conhecemos, com graça, delicadeza e presença nas vozes. Foi possível enxergar também, entre eles, o empenho e dedicação, além de uma ternura por Deus, lindíssima de se ver, no semblante de alguns. Estilos diferentes, idades diversas, o último degrau do tablado, apertadinho, gerou insegurança em alguns, mas mesmo assim estávamos juntinhos e ligadíssimos no propósito com a nossa querida Marly.

Do encontro, ficou a possível unidade, a ponta dos fios com que se pode tecê-la. Os talentos oferecidos a Deus são sempre lindos... é como se pudéssemos ver o (in)visível...

Nós vivenciamos um pouco mais da humildade de amar sem parar no que nos falta, em doar o pouco que temos com o muito que amamos.

Quero agradecer à Marly pelo carinho conosco, pela confiança em nós e por  fazer uso de outras técnicas... a alegria, o entusiasmo, a simpatia, a transparência e esse desejo sincero de cantar para Deus... essa coisa tão boa da gente olhar nos olhos... Deve ser por isso que quem ouve, ouve beleza do mesmo jeito... deve ouvir o que sai do coração...

Que assim seja, porque é Nele que toda unidade nasce e se faz possibilidade!

Vocês são uns lindos!

Beijo e até a missa,

Claudia

...

E a sintonia é tanta, que quando contei pra Marly que estava escrevendo pra postar no blog, a Lúcia mandou para ela um e-mail com o vídeo... acreditam? Deus tão lindo entre nós!
Assistam para recordar um pouquinho...


domingo, 20 de maio de 2012

Tríduo de Santa Rita - olha "nóis" aí gentemmm!

    Ontem, estivemos cantando - lindamente - lá na Igreja Santa Rita, na celebração do tríduo...
    Foi uma noite alegre e festiva, em que matamos a saudades do Pe. Agnaldo e ele da gente... (Me contaram que ele chorou na hora do "Santo"... Não vi, porque estou sempre de costas para o que acontece, mas vislumbrei a alegria dele, quando os instrumentos iniciaram a música... quase caiu do altar... rs)
    Foi também uma grande alegria ter conosco o Pe. Giuliano e partilhar com ele aqueles momentos...
    Saibam todos vocês que, na noite de ontem, conseguiram transmitir ardor e alegria às pessoas presentes. Não teve conta o número de pessoas que passaram por mim ou mesmo que vieram até mim para elogiar o grupo. Que tudo seja pelo quanto Deus nos ama e sustenta em união e harmonia!
    Parabéns especialíssimo aos nossos queridos instrumentistas, Xico e Luci, que arrasaram no acompanhamento e na sintonia...
    Sou muito grata ao Senhor  pelo muito que vivenciamos juntos, em cada momento de encontro.
    Obrigada a cada um pelo companheirismo e esforço para que tudo corresse bem.



    Amanhã também teremos um compromisso relevante, no qual estaremos representando nossa Igreja. Que nesta Semana da Unidade dos Cristãos, possamos fazer parte e ser um elo da corrente que une a Igreja do Senhor Jesus. Que amanhã o Espírito esteja presente e prodigamente sopre nos corações a unidade entre aqueles que o Senhor chama a formar um só rebanho, de um só Pastor.

Até logo mais!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O valor do grupo ou A lição do fogo

Recebi este texto do Xico, para compartilhar com vocês.
Reflexões lindíssimas, especialmente para nós, que participamos de um querido grupo de amigos.
Duas reflexões se seguem ao texto, mas acho que poderíamos tirar muitas outras deste texto. Se você tiver alguma e quiser compartilhar com todos, envie por email e coloco aqui para todos conhecerem.

      Um homem, que assiduamente comparecia às reuniões de um grupo de amigos,  sem comunicar a ninguém, deixou de participar de suas atividades.
Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.
     Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando. O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam.
    Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.
    Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel. O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.
    Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão, recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.
    Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.
O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.
    Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:
    - Obrigado por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo. Deus te abençoe!

Aos membros de um grupo vale sempre lembrar-lhes:  vocês fazem parte da “chama” do grupo e longe dela perdem todo seu brilho. Vocês também são responsáveis por manter acesa a chama da AMIZADE e promover a união entre todos, para que o fogo seja sempre realmente forte, eficaz e duradouro.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Seja feliz!

Recebi esse texto de uma amiga, cujo autor é desconhecido, e pensei que deveria partilha-lo com vocês, tal o valor do que ele traz. Mesmo que vocês já o conheçam, como era o meu caso, vale muito a pena reler com calma. Momento reflexão!
Boa semana a todos!


Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. Só você pode evitar que ela vá à falência.

Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.
Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestades, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem decepções. Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.
Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.
Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma e agradecer a Deus, a cada manhã, pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.
É ter maturidade para falar “eu errei”.
É ter ousadia para dizer “me perdoe”.
É ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”.
É ter capacidade de dizer “eu te amo”.

Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz…
Que, nas suas primaveras, você seja amante da alegria.
Que, nos seus invernos, você seja amigo da sabedoria.
E, quando você errar o caminho, recomece tudo de novo, pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida.
E descobrirá que…

Ser feliz não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para esculpir a serenidade.
Usar a dor para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo!!!
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível.
E você é um ser humano especial !!!!!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

MÃE - Mário Quintana

Recebi esse poema, de autoria de Mário Quintana, em homenagem às mães, enviado pela Lúcia, que pediu para postá-lo aqui.
Muito lindo! Obrigada, Lúcia!


Mãe ... são três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o céu tem três letras
E nelas cabe o infinito.
Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser  tão grande
Como o bem que ela nos quer
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus!


terça-feira, 8 de maio de 2012

Família: Utopia?

Recebi um texto da Silvia, que me fez pensar e com isso rememorar e refletir... Coloco ele logo ali embaixo, com um vídeo delicioso de assistir, com o Pe. Zezinho cantando Utopia e contando histórias do seu tempo de criança. Imperdível!
Quanto a mim, compartilho com vocês trechos de um texto escrito aos meus familiares após a minha viagem a Portugal, recordando as bases de nossa família, visivelmente alicerçada em meu avô José.

   "Depois de uns dias, deixando todos os sentimentos que fluíram durante nossa viagem um pouquinho no molho, volto para escrever sobre ela, fechando um ciclo de grandes e significativas vivências... Compartilho-as com vocês.
   (...)
  Viajar para Portugal trouxe uma grande consciência de como a vida vivida com dignidade e simplicidade pode gerar grandes frutos, descendência íntegra e sedimentar valores fundamentais, alicerçados em rocha firme e inabalável. Nosso avô teve uma vida dura, difícil e tudo o que me lembro dele é permeado por extrema doçura, gentileza, afabilidade, hospitalidade...
    A vida dura não o endureceu...
    A vida rude não o embruteceu... 
    A perda de três filhos não o amargou nem tirou sua fé...
    Os bens e o poder aquisitivo que possuía não o afastaram da vida simples do sítio.
    Numa época em que se tinha filhos para labutar na roça e ajudar na sobrevivência, teve grande visão e abnegação ao enviar os filhos para estudar... Queria para eles uma vida diferente... Aos filhos mais velhos, penso eu, a distância dos pais deve ter sido um grande peso, pela dor da ausência materna e paterna, mas acho que a vida se incumbiu de mostrar que, verdadeiramente o que o pai desejava era oferecer melhores oportunidades de vida... Assim foi.
     Finalmente, a viagem me proporcionou, além do encontro com as raízes “portugas”, a delicadeza do convívio com meu pai, meu irmão e minha filha. Nos divertimos muito, demos muita risada juntos, vivemos situações hilárias mesmo. Vivemos também profundas emoções, na descoberta da Quinta [dos Freixos, onde meu avô nasceu], no encontro com as portuguesas [que nos deram as informações sobre os parentes] e com a prima Marília.
    Visivelmente, nós quatro funcionamos de maneiras muito distintas, temos personalidades completamente diferentes, mas partilhamos um mesmo sentimento e do amor que permeou o tempo todo o nosso encontro, conseguimos ter uma viagem tranquila, sem estresses ou tensões. Cada um cedeu um tanto, cedeu a medida que podia, para que tudo corresse bem.
    (...)
    Quanto aos meus devaneios infantis com Portugal (ah, Portugal!), digo que é mesmo um lugar lindo, encantador, cheio de cantinhos e muitas cidadezinhas pequenas, cheias de lembranças e ruinas de um longo tempo passado.
    Já estamos aqui há cinco dias e eu ainda sonho todas as noites que estou lá...
   Deve ser tudo fruto de tantos sentimentos experimentados.
   A sensação é de saudade...
   Saudade de um querido, que se chama vovô José."
 
 

***

FAMILIA
(Trechos do livro "O Arroz de Palma", de Francisco Azevedo).
 
 
"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema... Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir...
Mas a vida... sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente...
Já estão aí? Todos? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar, tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Manière; Família ao Molho Pardo (em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria). Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.
Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.
Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Afinidade - Arthur da Távola

Texto lindo!... Para pensarmos em nós, nos que nos rodeiam e na nossa vida em grupo...
Penso que, sim, estamos em grupo por termos algumas afinidades ou, no mínimo, o comum objetivo de querermos cantar para Deus.  Mesmo quando não somos afins, quando no trato pessoal não temos os mesmos gostos, sentimentos, pontos de vista,  acima de tudo isso, nosso convívio tem sido permeado pelo amor e respeito à maneira de ser de cada um.
Isso não quer dizer que o objetivo esteja definitivamente alcançado, mas que caminhamos sempre nessa direção. Assim sigamos!
Vale muito a pena ler o texto de Arthur da Távola.


A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.

É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.

Mas, quando existe, não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Só entra em relação rica e saudável com o outro, quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar, não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.

A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar, por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos, veremos ou falaremos.

Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem para buscar sintomas com pessoas distantes, com amigos a quem não vemos, com amores latentes, com irmãos do não vivido?

A afinidade é singular, discreta e independente, porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas nem pelas pessoas que as tem.

Por prescindir do tempo e ser a ele superior, a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades ancestrais com a experiência da espécie, no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós, para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau, porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.

Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir restituir o clima afetivo de antes, é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta, ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas, plantios de resultado diverso.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças, é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas, quantos das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou, sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.

domingo, 6 de maio de 2012

Contagiar...


Carla Maffioletti é uma gaúcha que canta no show de
André Rieu...
Um pouco de música, um pouco de Brasil,
muito talento, muito humor
e, como sempre a beleza do canto, da voz,
do que a arte pode fazer...
contagiar!



Santo Domingo e até a noite!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Valores, pelos olhos da Ivanilde

Bom dia gente linda!

Imaginando que a Marly ainda esteja descansando mais um tiquinho, aproveito pra postar mais uma riqueza. Descanse bastante, querida, pra gente bagunçar a noite! ehehehe
Nossa querida Ivanilde enviou um e-mail com a música Pilares, cantada por Miro Saldanha. Veio em powerpoint, que não conseguimos postar, mas achei a mesma letra em vídeo, muito bonito por sinal e aqui está! Faz parte do cancioneiro Gaúcho e podemos dizer que a letra é um verdadeiro patrimônio humano...
Obrigada, querida, pela partilha.

Beijo,
Claudia


terça-feira, 1 de maio de 2012

Seja sempre assim!

imagem do fb

Queridos, A Marly já chegou, graças a Deus!
Hoje ela está descansando e matando a saudade da família. Fez linda viagem e é certo que terá algo a compartilhar, daquele jeito gostoso que ela tem de conversar e escrever.  Amanhã estaremos juntos no ensaio, se Deus quiser. Nós queremos muito!
Mas não pensem que acabou o pedido de ajudarem as postagens do blog.
De hoje em diante vocês precisam ajudá-la a postar, escrever mais pra ela, que ela a-do-ra!!! Não é mesmo, querida?
Acho que essa interação, o fato de querer contar pra Marly o que estava acontecendo e saber que ela estava lendo e correspondendo nos animou!
Alguns me disseram, entusiasmados, que, se esses sentimentos aqui postados são verdadeiros, que delícia... e eu tentei responder, mas é certo que não dá pra dizer em palavras... é simplesmente impossível manter um grupo unido por tanto tempo se a essência que o une não for especial e verdadeira. Vocês estão juntos porque querem. São voluntários, todos! É o que sentem que os mantém unidos!
É provável que ao longo de tantos anos, atravessaram diversos momentos bons e ruins também, mas vocês perseveram... o que os mantém? Li as respostas de quem escreveu, mas fico imaginando um a um o que foi que venceu dentro deles o tempo e as dificuldades pra seguirem até aqui! Àqueles que ainda não escreveram, mas sentiram vontade conforme eu escutei, vamos lá! Coragem! De pouquinho em pouquinho o blog vai ficando lindo porque é vivo, cheio de histórias e sentimentos verdadeiros para cada um.
E eu? Estou há um ano. Dois, se contarmos o tempo de namoro. Rsrsrs. Vocês são prova de que eu ficava lá na porta, resistindo a muitos convites, até que cedi, derretida, encantada. Para mim era evidente e hoje sinto assim em mim... entre vocês é a presença de algo superior, que anima e alegra, que dá sentido, sim!
Qual não é a minha alegria ao conhecer mais de pertinho a regente e saber, pelos olhos e palavras dela o imenso valor que vocês tem! Algo para ser cultivado e cuidado, como bem disse o Padre Giuliano na missa de Domingo: - Quem está sob os seus cuidados? Quem Deus colocou em sua vida para você cuidar? Como você tem cuidado das pessoas que são próximas à você? Seus familiares, amigos, profissionais, aqueles que você atende, serve? Muito bonito e oportuno pensar nisso! Pensei no meu cuidado com vocês e quero muito melhorar. Tenho pouco tempo no grupo, mas enorme encanto!
O Mário disse, brincando, que vai sair do Coral e eu disse que ele não pode sair. É que ele tem 19 anos de Coral e com ele ali perto eu alcanço os 20... risos.
Cantamos, brincamos, resmungamos, erramos, mas sobretudo atendemos a um chamado! Gracias, Marly querida, por não ter desistido até aqui, pra que eu pudesse saborear um pouquinho esse lugar existencial tão lindo!
Sim, sr. Osvaldo e cia. Os sentimentos bons são de verdade. Aproveitemos!
Falando em aproveitar, já ouvi várias vezes que nem sempre se tem vontade de estar presente, o cansaço e algum outro problema às vezes tira o ânimo de ir, mas são unânimes quando dizem também que ao estar ali, tudo passa, fica mais leve, possível.
Que belo um chamado que faz um bem tão concreto aos outros e a nós mesmos também!

Seja sempre assim!
Com carinho, um beijo em cada coração,
Claudia

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