terça-feira, 5 de julho de 2011

Assim nasceu um grupo, assim se cultiva amizade



Era uma vez, uma flor que nasceu no meio das pedras. Ninguém sabe como, conseguiu crescer e ser sinal de vida, no meio de tanta tristeza. Passou uma jovem e ficou admirada com a flor. Logo pensou em Deus. Cortou a flor e a levou para a igreja. Mas, após uma semana a flor tinha morrido. 

Era uma vez, uma flor que nasceu no meio das pedras. Ninguém sabe como, conseguiu crescer e ser sinal de vida, no meio de tanta tristeza. Passou um homem, viu a flor, pensou em Deus, agradeceu e a deixou ali; não quis corta-la para não mata-la. Mas, dias depois, veio uma tempestade e a flor morreu.

Era uma vez, uma flor que nasceu no meio das pedras. Ninguém sabe como, conseguiu crescer e ser sinal de vida, no meio de tanta tristeza. Passou uma criança e achou que aquela flor era parecida com ela: bonita, mas sozinha. Decidiu voltar todos os dias. Um dia regou, outro dia trouxe terra, outro dia podou, depois fez um canteiro, colocou adubo. Um mês depois, lá onde havia só pedras e uma flor, agora era um jardim!...
Assim se cultiva uma amizade...

Para os que não conhecem a história do Grupo de Canto São Judas e não sabem como tudo começou, é preciso dizer que foi algo muito semelhante a essa historinha.

Em julho de 1991, alguns casais, integrantes do Movimento Equipe de Casais da Paróquia São Judas Tadeu e São Dimas, foram eleitos para representar sua equipe nos encontros mensais de preparação das reuniões. Durante um ano, ao invés de “cortar a flor e levá-la à Igreja” ou “agradecer a Deus a beleza da flor” e deixá-la à sua própria sorte, foram cultivando uma bela amizade. Em junho de 1992, não se conformavam em separar-se. Daquele grupo nasceu a ideia de formar um “Coral”, de maneira que os encontros não terminassem.
Assim teve início o Grupo de Canto São Judas Tadeu, que nasceu como fruto da necessidade de algumas pessoas, de se encontrarem mais vezes como comunidade. Nasceu da amizade e do amor fraterno.

E como desde o início, o objetivo do grupo era ter Jesus no meio e animar as missas dominicais, pessoas de outras pastorais e mesmo paroquianos que apenas participavam da missa foram se integrando, assumindo esse amor primeiro para si também: o ideal de viver o amor e levar o amor através do canto.

Este ano, o Coral São Judas comemora, em agosto próximo, dezenove anos de encontros semanais.

Na verdade, apesar de utilizarmos a palavra Coral para designar o grupo, nós nunca fomos um coral no sentido original da palavra, pois existe uma diferença fundamental: aqui pode ter gente desafinada, fora do compasso, pode ter quem falta, turista, cantar errado, mas ninguém pode ser substituído, porque o que importa não é a voz ou o canto, mas a pessoa.

Para nós, é possível substituir a função, mas não as pessoas. Por isso nenhum de nós quer que alguém saia. Por isso ficamos tristes quando alguém se afasta, pois em primeiro lugar amamos aquela pessoa e o encontro com ela.

E ao longo desses dezenove anos de convívio, temos também realizado um exercício de amor, ao respeitar o fato de que cada um é livre para fazer sua opção entre ir ou ficar; e mesmo sofrendo com a perda do convívio semanal, nos esforçamos para não tentar manter o outro a qualquer custo. Mesmo que alguns não saibam, esse é um jeito de amar.

Então! Somos diferentes de um “coral verdadeiro”, porque nos reunidos para viver em comunidade e viver o Evangelho, além de cantar. Temos a certeza de que quem se achega ao grupo não o faz por acaso, mas atende a um chamado especial do próprio Deus. E é por isso também, que sempre cabe mais um, pois este é mais um enviado de Deus para nossas vidas.

Como em qualquer lugar, onde várias pessoas se relacionam, as dificuldades existem e estar no grupo nos fez aprender que é preciso ter humildade para aceitar as nossas falhas e as falhas do outro. O fato de buscarmos viver o amor, tem nos impulsionado para frente, já que as diferenças que existem sempre nos ensinam alguma coisa. Acabamos por aprender a lidar com a maneira de ser de cada um, a aceitar o outro como ele é, a exercitar a tolerância.

Como tem sido bom aprender, durante esses dezenove anos, o quanto cada um é diferente na sua maneira de ser e o quanto isso não faz a menor diferença quando estamos juntos, seja cantando ou não.

Conviver nos fez e faz crescer!

Nos fez compreender que ninguém é melhor nem pior que ninguém, porque Deus criou a todos de um jeito diferente, mas com o mesmo amor; e se cada um é do jeito que é, é porque temos coisas diferente para dar ao mundo.

Estar nesta pequena comunidade nos ensinou que a função de um, nunca é a mesma do outro, porque sendo todas as funções diferentes, umas precisam das outras para poder estar em harmonia, para completar o conjunto e por isso todos são importantes: sem um o outro não pode fazer bem aquilo que sabe.

O fato de sermos tão diferentes é que torna o conjunto harmonioso, quando sabemos respeitar, acolher e amar a maneira de ser do outro.

Temos nos empenhado muito nesse exercício!

Numa coisa me sinto privilegiada, em relação a vocês no grupo: é que posso cantar olhando cada um nos olhos. Ah, como eu gostaria que cada um de vocês pudesse sentir a emoção que é, ver todos juntos para cantar Deus! O quão é intenso, nesses momentos, constatar o quanto cada um, em particular, cedeu, entendeu, amou, deu o melhor de si, para que pudéssemos ser o "Coral" São Judas...

Não há nada no mundo que pague esse momento! É por isso que as pedras vão ficando pelo caminho e compensa perseverar, posso garantir!

Alguns de nós já se foram para junto de Deus, e certamente são lembrados não porque cantavam maravilhosamente, mas pelos gestos que fez, pela pessoa que foi, pois só o que fica é o que se faz por amor. Assim será com cada um de nós também!

Assim somos nós: caminhamos na certeza, em primeiro lugar, de que fomos chamados por Deus para participar desta comunidade, que Deus nos chamou para estarmos aqui e que nosso canto é uma resposta direta ao Seu chamado. Também temos a consciência de que Ele deseja que sejamos não apenas um grupo que canta canções litúrgicas ou religiosas da maneira tecnicamente correta, mas um grupo que, porque vive as coisas de Deus, porque está imbuído do espírito evangélico, canta a Sua Palavra.

Nós somos uma pequena comunidade que canta e quer viver o evangelho. Porque “cantar é dar som à vida, à alegria, à beleza; cantar é sonorizar o amor, que faz de nós humanidade”.

Marly Rodrigues Mendes Fernandes

5 comentários:

  1. Deus abençoe sempre o propósito deste Coral. Parabéns pela iniciativa do blog.

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  2. Vcs são MARAVILHOSOS!!!! Me emociono cada vez que escuto.......
    Parabéns pelo Blog!!!!!!!
    Bjks a tds

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  3. Sentimos muito a falta de vocês. Vamos fazer muitos amigos, frequentar outros corais, mas não vamos achar nada tão bom quanto a convivência que compartilhamos entre pessoas tão especiais. Em nossas orações e corações pedimos para protegê-los. A cada missa, no entanto, nos olhamos, eu e Elizabeth, com aquele olhar de quem sente demais a falta da emição que o som que o Coral S Judas nos trazia. Parabéns pelo Blog. Marly: você não existe... Beth e Natal.

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  4. Querida Marly, Parabéns pelo blog. Soube dele no Face da Caminha e entrei para ver. Daí, gostei.
    Beijos
    Walderez

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  5. ONTEM FOMOS A MISSA COMO FICA ESTRANHO NÃO CANTAR, É CLARO QUE FOI LINDO O GRUPO QUE CANTOU, MUITO BOM MESMO. PARABENS A ELES.
    CINTO MUITA FALTA DE VCS.OLHA MENINAS VAMOS FAZER UM CHÁ NESSA FÉRIA. A SUELI DISE QUE PODE SER NA CASA DELA OK.

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