sábado, 30 de julho de 2011

Além do arco-íris

Certa vez, eu ouvi alguém contar que, além, sob o arco-iris, há um lugar onde o céu, sempre azul, nos faz sonhar, onde a gente consegue os sonhos realizar.
Por isso, quando a chuva tamborila na vidraça da janela, eu olho o arco-íris, na esperança de encontrar a região tão bela, onde o céu, sempre azul, nos faz sonhar, onde a gente consegue os sonhos realizar.


Ontem fiquei um tempão para recortar o vídeo de um casamento que fizemos e deixar somente esta música, para conseguir postar. Não por coincidência, tenho refletido muito sobre lugar: para ser... encontrar... ocupar... ter... ficar...
E como tudo, quando a gente tem uma necessidade, só fica pensando naquilo que está dentro... Tipo assim, se a gente está com fome, só vê placa de restaurante na rua ou comida em foto de revista, entenderam? rss

Então, ao passar por uma rua em que os dois lados estão ocupados por carros estacionados, fico me perguntando porque o motorista do carro que está vindo, em sentido oposto ao meu, se sente no direito de entrar com tudo na estreita passagem e eu tenho que frear para esperar ele passar. Por que é que ele não pára também e espera, e depois de ambos estarmos parados, decidirmos de comum acordo quem passa primeiro, com um sinalzinho amigável de mão? Ou, por que somente eu tenho que dar lugar?

Chego em casa e vou molhar minhas plantinhas... Mais uma vez penso a respeito de lugar, pois olho para uma violetinha que "pupou", como diz a Maria (e o que quer que isso queira dizer, eu só sei que, acima da terra, não tinha sobrado nada dela), que aparentemente tinha morrido totalmente e que, ao invés de jogar fora, fui deixando o vasinho por ali... e ela hoje tem folhas!!!. Só porque eu não desisti dela e ao invés de jogar o vaso fora, quando acabaram flores e folhas, coloquei em um outro, um tiquinho maior, que tinha um pouquinho de terra dentro e sempre ia jogando um pouquinho de água. Fico encantada, pois, por milagre da Vida, ela foi brotando de novo e suas folhas estão verdinhas... Eu acho que em setembro terei flores dela outra vez... Só porque a deixei no lugar e cuidei, mesmo sem esperança de nada...

Volto a pensar no motorista que não dá lugar, apressadamente ocupado somente consigo mesmo, que me joga o carro em cima e só não bate porque eu recuo. Esquece que tinha ali uma oportunidade de encontro, de gentileza, de uma mão acenando, um sorriso e um cumprimento de cabeça. Era só parar ou diminuir, pensar que o outro também ali está e tem o mesmo direito seu... Tem gente que funciona assim o tempo inteiro, não dá espaço, não quer saber se alguém vai se machucar; importa é passar... Com esses é difícil ter lugar...

E quem de nós não anseia ter o seu lugar em cada situação, em cada encontro, em cada outro?... Um lugar de céu azul e arco-íris, um lugar para se sentir amado e cuidado, com espaço para os sonhos realizar...

Por isso ao olhar minha violetinha só posso pensar que a Vida e o Amor são sempre mais fortes, basta dar lugar.

E então desejo que os "motoristas-tratores" da vida possam ter olhos para enxergar o gesto de amor derramado por quem cuida para não trombar e pacientemente espera passar.  

E tenho a esperança de que um gesto de amor, por pequeno que seja, pode ser mesmo como uma chuva refrescante, capaz de gerar um arco-íris que aponta para um lindo lugar: um lugar de encontro verdadeiro, em que o outro seja visto, percebido e reconhecido como alguém que também tem valor, direitos, anseios e necessidades.

Não é mesmo assim, além do arco-íris, que temos buscado viver?

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